Wednesday, October 15, 2008

The Best of It

Após algumas reclamações a respeito da minha ausência por aqui, eis-me de volta... :P

Pra falar a verdade, foi meio por falta de inspiração. Até pensei em escrever sobre um episódio ocorrido com um torcedor do Inter e os jogadores (que foram de um senso de humor incrível e se divertiram a valer, assim como o torcedor), mas daí os meus mais assíduos leitor e leitora - ambos gremistas... :P - iam me encher de ossos por fazer dois posts seguidos sobre o Colorado, então desisti.

Hoje, porém, lendo o blog de uma amiga from MySpace (por sinal, vale a pena conhecer o trabalho dela, a Jarah Jane, em especial Underwater Ballons, produzida por outro amigo meu) e sem conseguir tirar uma outra música da cabeça - siiiiiiiiiiiiiim, Carem, adivinha DE QUEM? ;) - surgiu uma idéia.

O post da Jarah era sobre aceitar-se a si mesmo/a e ela contava ali a história dela. Ela teve que se mudar ainda criança dos EUA pro Canadá e enfrentou uma série de problemas de adaptação, já que, além de uma professora que era uma verdadeira megera de filme de terror, a criançada da escola não aceitava a nova colega americana, alta, magricela e que não sabia uma palavra de francês. Obviamente ela acabou superando esses problemas, mas segundo ela isso deixou cicatrizes, nesse caso o fato de que ela sempre está em busca da aceitação das outras pessoas, sempre fazendo tudo para que gostem dela. Ela confessa que recentemente ela conseguiu enfim realmente se sentir segura de si mesma e isso teve reflexos - ótimos - na carreira dela. Bom, falo tudo isso pra dizer que, além de ter a inspiração pro post de hoje, lendo o que ela escreveu me vi refletida em diversos episódios, com algumas variações. Já explico.

Eu cresci nas Três Vendas, pra ser mais exata nas Terras Altas, que é o fim das Três Vendas. Sabe a entrada do Aeroporto? Passa. Sabe a entrada do Pestano? Passa. Sabe o Quinze de Julho? Vai adiante. Sabe o Exército de Salvação? É passando um pouco mais. Eu morava no casarão que é hoje a sede daquela empresa de ônibus, a Transpessoal (o casarão ainda é da minha família, está alugado e, infelizmente, destruído por eles...). Na época, a Fernando Osório tinha uma pista só (a que vai pra POA), então a casa ficava longe da estrada, era como morar numa fazenda. A gente tinha vaca, porco, cachorro(s), galinha, cavalo, e eu cresci no meio deles e subindo em árvore. Era a típica caipirinha (a PESSOA, não a bebida, seus bebuns!:D )

Quando fui, então, estudar no Assis Brasil na 3ª série (até então eu tinha estudado num colégio pequeno, particular, o Recanto Infantil) eu era a "jeca" da turma. Eu não era fashionable como as minhas colegas, não tinha a experiência de viver na cidade (eu mal sabia andar pelas ruas sozinha!) e era de uma ingenuidade total. Não demorou muito e eu era o motivo de deboche da turma, não "na cara" (pelo menos eles/as tinham um pouco mais de respeito que a gurizada de hoje em dia), mas eu via as risadinhas, os cochichos meio que me apontando e, apesar da minha ingenuidade, conseguia captar a malícia e o sarcasmo de algumas coisas que diziam pra mim. Sabe aquela turminha que sempre é a que todo mundo quer andar junto? Pois é, eu queria andar com aquelas gurias, mas elas sempre davam um jeito de me escantear, de me esnobar: eu não me adeuqava ao padrão, eu "não servia" pra andar com elas. Obviamente a minha primeira reação foi ficar chateada, deprimida, chegar em casa e ir chorar escondida, essas coisas, mas depois de um tempo - com é o meu normal - enchi o saco e resolvi dar um jeito na situação: eu ia virar aquele jogo.

Coloquei na cabeça que eu ia ser a melhor da aula: elas iam ter que vir me pedir ajuda em dia de prova, iam ter que vir pedir pra ficar no meu grupo quando tivesse trabalho pra fazer. Done. Consegui.

Entrei pro ballet, que na época era o máximo dos máximos em termos de atividades fora da escola. Done. E não fiquei por aí: fui pro corpo de baile, fui solista, fiz turnê pelo Brasil. (Detalhe: entrei no ballet também porque gostava, e fiquei porque AMAVA aquilo, não por causa das "outras"). Entrei também pro grupo de ginástica olímpica do Assis Brasil (e depois quando fui pro Pelotense continuei - é de lá que conheço o João Bachilli, diretor do Tholl, que na época treinava com a gente). Foi um santo remédio pra minha "popularidade". :)

Com isso, aos olhos da "turminha" aquela, eu agora era cool, valia a pena andar comigo, e então elas começaram a vir atrás de mim e me procurar. Eu tinha conseguido.

Como não sou uma pessoa vingativa, não desprezei as pestinhas como elas tinham feito comigo, mas também não fiz questão de ser amiga delas, apenas fui diplomaticamente educada quando vinham atrás de mim. Fiz questão, isso sim, de ficar amiga de pessoas que eu achava legais mais que eram, assim como eu tinha sido, "excluídas", e tenho orgulho de dizer que essas pessoas foram os/as melhores amigos/as que alguém pode ter, e muitos/as estão do meu lado até hoje, e são como irmãos/ãs pra mim.

Não contei isso tudo pra me fazer de coitadinha e nem pra contar uma história tipo novela ("Oh, veja tudo por que ela passou e como ela superou as dificuldades"). Não. Se estou contando tudo isso aqui e agora é pra quem estiver lendo entender que isso tudo me fez como sou, pra saber de onde eu saí ou, como diria o meu irmão, "como deu nisso aí". ;)

A gente passa por poucas e boas na vida, mas isso tudo é que faz a gente a pessoa que a gente é. Tudo contribui, mas acho que as quedas, as humilhações, muitas vezes são o que nos faz fortes. A gente tira muitas lições delas. E é aqui que entra uma parte de uma música que adoro - à propósito, o título do post - que diz:
Most of us will fall down until they've reached their knees
But we make the best of it
É isso aí, babe: we make the best of it.

2 comments:

Jorge said...

Beautiful!
Típico "do limão, fez a limonada".

Se não existisse gente como suas ex-colegas e se existisse mais gente como você, aí sim o mundo seria "the best of it"

Kisses!

Re said...

Aaawww, valeu querido! :)

Kisses!!!